Dispositivos móveis sob um olhar crítico

Dispositivos Móveis e os Usuários Passivos

In Uncategorized on agosto 7, 2012 at 12:33 am

Imagens de divulgação: Apple, LG e Motorola.

Sempre me perguntava qual era a moral de uma pessoa possuir diversos aparelhos como computadores, notebooks, smartphones e tablets. Pensava que alguém com tal arsenal seria um entusiasta da internet, aproveitando o caráter “gratuito” dela aliada com seus eletrônicos para criar conteúdos diversos.

Após, notei que muitas pessoas que possuem mais de um dispositivo com ligação a internet não apresentavam esta veia criadora. E olhando melhor, descobri que muita gente que produz conteúdo interessante para a web (tirando os pro-blogger’s), eram simples indivíduos munidos com uma câmera digital e um PC com acesso a internet.

Essa diferença me fez repensar, formulando o fato de que quanto mais tecnologia uma pessoa tinha, menor era a sua atuação na internet. Parecia-me bizarra essa idéia, mas após conseguir um smartphone é que notei como realmente a nova onda tecnológica quer que agente pense.

Não tenho medo de afirmar que todos os dispositivos móveis (smarts e tablets) são aparelhos que colocam o indivíduo como um usuário passivo dentro da internet. Alguns até podem argumentar que conseguem produzir conteúdo próprio em tais dispositivos, mas sinceramente, nenhum deles foi feito com o objetivo de produção intelectual.

Vamos pegar um pequeno exemplo extraído do DNA de smartphones e tablets que é a interação via touchscreen. Tal tecnologia enfatiza apenas o “click”, ou seja, navegar dentro de menus pré-definidos de aplicativos e sites. Quando você quiser simplesmente comentar um post, terá que enfrentar o teclado qwerty digital.

O teclado virtual acaba sendo um limitante dentro dos dispositivos móveis pelo fato de apresentar-se embutido na tela, fazendo com que elimine-se espaço da visualização da página em que a pessoa está escrevendo. A ergonomia da digitação é simplesmente péssima e em smartphones (com telas de 5 polegadas para baixo) é um teste de paciência e tanto. Se você erra uma palavra e depois notou o problema, sofrerá para fazer a “seleção cirúrgica” com o touch da tela.

Imagem do autor

Sendo o simples ato de escrever uma encruzilhada, como então poderíamos ser interativos? Algo tão primordial como a comunicação escrita ser dificultada “ao natural” faz com que o usuário pense duas vezes antes de tentar interagir com conteúdos online. Abrimos mão da nossa vontade de expressão em troca da comodidade e portabilidade de acessar conteúdo em qualquer canto.

Dentro dessa lógica, quando usamos um dispositivo móvel o fato dele ser prático nos faz pensá-lo como substituto cabível perante qualquer computador. Entretanto a falta de dispositivos de entrada de dados como teclado físico e mouse acabam capando toda a produtividade. Se uma pessoa tentar escrever uma folha inteira de texto em um tablet ou smartphone, além de demorar muito mais tempo, vai ficar simplesmente cansada de tanto brigar contra a tela de touchscreen.

Imagens de divulgação: Asus e Sony

Pode-se apontar os aparelhos que apresentam teclado físico embutido. Esta alternativa acaba assemelhando um tablet com um netbook. Creio que tal aproximação acaba por eliminar a característica “tablete” do aparelho, deixando de lado que a premissa dos atuais dispositivos móveis ser a interação apenas por toque na tela.

Mas toda essa análise quer apenas apresentar a idéia que a questão é mais profunda. Toda essa história de como a interação com a web ser tão prejudicada pela interface simplificada, fazendo com que a passividade exista, demonstra uma das maiores verdades sobre a humanidade: ninguém quer pensar. Digo isso pelo fato de que se olharmos mais profundamente a característica passiva do internauta quando está usando tablets ou smartphones, acabamos por ver a imagem da televisão.

Mas qual o motivo de comparar os dispositivos móveis com a “velha” televisão? É muito simples. Tal como assistir um canal televisivo, o usuário de uma tecnologia portátil está realmente condizente de sua situação de apenas consumir o que lhe é oferecido da mesma maneira como o sistema televisivo sempre funcionou. Mesmo tendo a comodidade de caminhar por diversos links, a experiência é a mesma coisa do que “zapear” por canais de TV passivamente.

Isso não é nenhuma novidade. Todos nós fomos acostumados a receber informação de maneira passiva. A informática não mudou o funcionamento do mundo e os dispositivos móveis estão aí para isso. Eles são aparelhos que dificultam a interação ou criação, deixando o foco para a reprodução de conteúdo com a consequente passividade do usuário.

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